Nos dias mais tristes olhava pela janela… Tanta vida lá fora! A vida não pára. Os pássaros voam, os campos crescem verdejantes, a natureza segue indiferente o seu percurso. Rendido à pequenez da sua tristeza, tão mesquinha, tão egoísta, face à grandiosidade da paisagem, abria a janela e deixava o mundo entrar. O cheiro de vida rodopiava pela casa e arejava o bafo que se acumulara ao longo de anos de uma existência contrariada. Seria isso existir? Pensamentos de uma vida nova iam e vinham. E com eles o medo. De falhar. De começar, de recomeçar, de cair, de se levantar. De novo um olhar para a janela…. Já era Inverno, as folhas tinham caído das árvores, o ar entrava frio mas não menos estimulante. E o mundo dizia:
Temos uma relação de amor, não achas? Todos os dias olho para ti e penso o quão bonita tu és e que sorte que eu tenho por te ter aqui. Outras vezes, com receio que não consigas ler os meus pensamentos, digo-o mesmo em voz alta. E quando tudo isso não é suficiente deslizo, com muito cuidado, as mãos pelas tuas folhas verdes e brilhantes.
Quando os teus ramos secam, podo-os e deito-os fora. Não devemos guardar aquilo que já passou…
Tento dar-te a atenção e o alimento necessários. Nem água a mais nem a menos. Sem água não terias alimento, irias morrer em vida. E é tão triste morrer em vida… Muita água iria sufocar-te. Faria com que as flores caíssem, tornaria flácidas as tuas folhas. Por vezes é difícil gerir isso, vou usando algum bom senso e muito carinho para manter esse equilíbrio alimentar. Para isso, estou atenta aos mais ínfimos sinais. Fico feliz quando vejo um botão a nascer, uma nova folha, um novo ramo. Afinal, quero o teu sucesso! Mesmo sendo, por vezes, uma espectadora longínqua, quero-o. E é tamanha a alegria quando vejo uma flor! Caramba, como me sinto feliz! Eu e os outros, não é? Aqueles que aqui chegam e, dia após dia, olham para ti e dizem: “como está bonita!”. Ou então: “olha, tem folhas novas!”. Sentes isso, não é? É tão bom quando alguém vibra pelo nosso amor.
Acredito que aqui se respira alegria e tranquilidade. Dizem que é do Yoga. A cada prática as pessoas saem mais fortes e mais felizes. Também és testemunha disso. Suponho que isso também te alimenta e te faz feliz. É nesta alquimia que vivemos. Nesta transmutação de elementos. Nesta busca pela pedra filosofal.
Temos uma relação de amor. Já lá vão quase 3 anos.
Não se pode amar mais ou menos! Não se pode amar pelas palavras, pela roupas, pelas imagens. As palavras desmembram-se, são letras agrupadas. As roupas rasgam-se, são pedaços de tecidos cosidos. As imagens desintegram-se, são pontos de luz aglomerados. Só se pode amar de dentro, a uma só voz. De um lugar onde não há divisão, não há conveniência. O amor não pode ser uma conveniência. Não posso acreditar nisso, nunca pude, nunca quis, nunca acreditei. O amor é um estado, é. Não se movimenta. Não tem tempo. Está para além do tempo, do espaço. Para além da matéria. É uma energia mas está para além da própria energia. O sol movimenta-se? Não! Irradia! Isso é o amor. Não se pode amar porque dá jeito. Porque não existe mais ninguém. Ou porque se precisa de alguém. Mas ao mesmo tempo precisa-se. E liberta-se. É urgente. É urgente porque não há tempo a perder. Ou porque já perdemos muito tempo com coisas que não interessam. É urgente alimentar a alma. Porque a alma não foi feita para estar presa, condicionada. Foi feita para almejar, almejar liberdade. Amar e libertar, libertar no amor. E o coração foi feito para bater. E só um verdadeiro amor pode manter um coração vivo. Porque não há nada mais triste que um coração morto. O coração não pode bater pelas palavras, pelas roupas, pelas imagens, pelas músicas. O coração bate porque está uno com algo maior. E esse algo maior é o amor. É urgente, urgente viver o amor.
“É importante que se torne visível o respeito que devemos ter por aqueles que percorreram os caminhos que ainda temos pela frente.” Ruy de Carvalho
Começaram com receio, alguns sem qualquer experiência em práticas que pudessem envolver alguma actividade física, mobilidade, flexibilidade e muito menos consciência corporal. O corpo carregado de mazelas acumuladas ao longo de uma vida de hábitos e pensamentos incorrectos. Com a prática do Yoga e logo no primeiro dia os resultados começam a aparecer, resultados esses que se vão aprofundando à medida que a prática vai avançando. A qualidade do sono melhora, as queixas diminuem, a dor dos desgastes provocados pela idade, por má postura ou por acidentes tende a atenuar e até a desaparecer, o equilíbrio melhora significativamente, a consciência da respiração começa a despertar, a mente e as emoções a tranquilizar. São os nossos Pais, Avós, Tios, somos nós próprios projectados no futuro ou no presente. São sérios, não faltam a uma aula e… sorriem muito! Perceberam que as faltas que damos nesta vida nem sempre nos trazem sorrisos mas que sorrir nos mantém sempre presentes. Que ser sério não é ser sisudo. Ser sério é uma qualidade que contém uma certa urgência de viver, é saber que o dia pode acabar hoje mas que, mesmo assim, podemos sorrir. Têm entre sessenta e setenta e alguns anos, poderiam achar que nesta fase recomeçar era impossível, mas não, optaram por tentar mais uma vez e os resultados estão à vista! E você? Quantos anos tem? E quantos mais vai esperar? Já sorriu hoje?
O ano novo traz a mesma sensação de quando deslizamos grãos de areia por entre os dedos das mãos. Uns ficam, outros vão. Os que vão juntam-se ao imenso areal que é a vida em todas as suas variantes, os que ficam aconchegam-se no pequeno mundo que é a palma das nossas mãos. Não existe forma de escolher qual o que fica e o que vai. Por mais que apertemos as mãos com toda a nossa força há sempre um grão que escapa e outro que fica preso e infeliz. Por outro lado, por mais que quiséssemos, não conseguiríamos segurar todos. Cada grão tem o seu lugar, a sua história e, acima de tudo, liberdade própria. Com eles construímos castelos e catedrais. Soprados pelo vento, os grãos voam cada um com a sua meta, o seu destino. Talvez aterrem no quintal do vizinho, talvez mergulhem no mar, talvez o vento os traga de volta, talvez não. E, por mais pequeno que seja, cada grão tem o seu valor. Um grão é poderoso o suficiente para bloquear a engrenagem de uma máquina ou para fazer pender a balança para o lado certo.
É na pequenez das coisas que se vê a grandeza da Natureza. É na pequenez dos actos que se vê a nossa qualidade de Humanos. Acredito, que as nossas mãos podem, agora e sempre, fazer a diferença:
As mãos são minhas mas poderiam ser tuas e nas tuas encontrar o abrigo. As mãos são tuas mas poderiam ser nossas e no nosso avistar o encontro. As mãos são nossas mas poderiam ser deles e no mundo espalhar o afecto.
Todos sabemos que uma atitude positiva perante a vida aumenta o sucesso e a motivação psicológica, o que se vai repercutir nas nossas atitudes físicas do dia-a-dia. Visto no sentido oposto, o modo como nos movemos ou curvamos a coluna é um sinal significativo do nosso estado de espirito ou atitude perante a vida. No nosso trabalho procuramos promover no ser humano a relação harmoniosa do corpo, mente e emoções bem como da sua actuação no mundo.
Dentro das várias opiniões desconexas que surgem quando ouvimos falar de Yoga, existem duas que se salientam:
– A primeira remete-nos para um Yoga muito parado e demasiadamente entediante para uma mente saltitante, rematando, quem a profere, que não faz Yoga porque não tem paciência. No entanto, não deveria o nosso raciocínio ser ao contrário? Ou seja, praticar Yoga porque não temos paciência e queremos desenvolvê-la?…
– A segunda associa o Yoga a posturas físicas complicadas, próximas do contorcionismo e não acessíveis ao mais comum dos mortais.
Ao longo dos tempos, multiplicaram-se diversas escolas de Yoga. Uma das mais conhecidas no ocidente é o Hatha Yoga. É importante salientar aqui que o Yoga não é uma ginástica acrobática. Apesar do leque de posturas passivas e activas o ter popularizado, estamos a falar de Hatha Yoga, ou do Yoga do sol e da lua (energia activa e passiva) que tem muito mais para oferecer do que apenas exercícios físicos. Infelizmente, ao longo dos tempos e até mesmo no seu país de origem, a imagem do Yoga, nomeadamente do Hatha Yoga, tem vindo a degradar-se.
No nosso ponto de vista, o aprofundamento do Yoga só pode ser feito ou trabalhos privados ou em pequenos grupos. Assim sendo, o Yoga ortodoxo não deveria ser ensinado nos ginásios em grandes grupos. O que se pode ensinar são algumas técnicas baseadas em Yoga que, por si só, podem já melhorar bastante a qualidade de vida de qualquer ser humano. Dessas técnicas fazem parte, entre outras, trabalho postural (asanas), exercícios respiratórios, exercícios de relaxamento e meditações.
Benefícios a curto prazo: melhora a postura; maior coordenação; consciência corporal; aumento da vitalidade; diminuição da tensão corporal.
Benefícios a longo prazo: desenvolve a força; mente mais estável; equilíbrio emocional; fortalece o sistema nervoso; aumento da força de vontade e da concentração; melhora o metabolismo, a circulação sanguínea e equilibra o sistema endócrino.
Qualquer pessoa, que seja orientada por profissionais altamente qualificados, capazes de organizar a prática de acordo com os objectivos, necessidades e possibilidades do grupo a atingir, irá certamente usufruir dos numerosos benefícios que referimos. No final, afirmará com convicção que o Yoga, seja na sua versão mais ortodoxa ou no método “adaptado” a ginásios, não é (só) para ela mas … para todos!
São seres humanos, futuras mães, portadores de outros seres humanos.
Chegam num estado especial e gostamos de os tratar de forma também especial. Porque não existe maior responsabilidade do que transportar uma vida em si. Vida dentro da vida.
Vêm luminosas, carregadas de felicidade, mas por vezes também de dúvidas, de incertezas. Gostamos de lhes mostrar que são capazes, que trazem consigo a maior e mais nobre causa. E que mesmo por vezes desempregadas, com menor eficácia profissional, com a casa mais desarrumada, com a mobilidade reduzida, continuam tão ou mais válidas do que qualquer outra mulher.
Gostamos de as ajudar a perceber que a maternidade lhes irá ensinar a compreender o seu próprio percurso familiar. Que quando usufruída de forma consciente, será uma espécie de renascimento. Que a comunicação com o feto começa muito cedo, muito antes de ter o bebé nos braços. Que é possível manter a tranquilidade num momento tão crucial como é o do parto. Que se devem rodear do que é belo e que elas próprias são belas, muito belas!
Quando os bebés nascem, muitas vezes voltam. Transformadas, renovadas, num novo estado. Gostamos também de as ajudar a encarar esses novos desafios. Apercebem-se o quão importante teria sido se tivessem preparado a gravidez antes dela acontecer. E passam para o segundo desafio. Bem hajam, portadoras de Vida!
Gravidez: antes, durante e depois
A gravidez é um momento único. Como processo de desenvolvimento de um ser humano, merece ser acompanhado de forma especial. Durante a gestação a Mãe já actua como uma espécie de educadora. Uma educadora “celular”, dado que o seu comportamento e o que ela pensa ou sente, influenciará o bebé. A prática das técnicas de Yoga durante a gravidez transmite à Mãe a noção que a mente é cúmplice do corpo e vice versa.
No entanto, não existe Yoga para grávidas, existem técnicas de Yoga adaptadas à gravidez. A grávida, não sendo um caso contra indicado para a prática de Yoga, é um caso especial (tal como a criança ou o idoso). Por isso, deve ser tratado como tal e acompanhado preferencialmente de forma individualizada, pois cada gravidez é uma gravidez.
Segundo uma pesquisa desenvolvida em 2014 pelo Dr. James Newham, da Universidade de Newcastle, existe uma relação directa entre a prática de Yoga durante a gravidez e a redução dos níveis de stress, diminuindo assim o risco de desenvolvimento de quadros de ansiedade e depressão. No mesmo estudo se refere: “Já sabíamos que a prática de Yoga podia ajudar a melhorar a saúde física da grávida. Esta nova evidência mostra que a prática traz também benefícios importantes para a sua saúde emocional. Seria positivo introduzir o Yoga no Serviço Nacional de Saúde. Talvez pudéssemos reduzir os custos dos cuidados de saúde pós natal. A ansiedade pré natal aumenta o riscos de nascimento prematuro.”
O que se aprende nas aulas
•Exercícios de alongamento e tonificação, visando, em outras áreas a zona pélvica
•Exercícios respiratórios
•Exercícios de relaxamento
•Visualizações
•Meditações
•Compreensão do próprio corpo e mente neste momento tão especial
Benefícios a nível físico
O corpo durante a gravidez muda constantemente. Este corpo “temporário” exige muito da mulher. O equilíbrio fica comprometido com a alteração do eixo. O aumento de líquido no organismo modifica a sua circulação. O aparelho respiratório e o aparelho digestivo ficam comprometidos pela compressão dos órgãos internos.
•As posturas de Yoga exercitam o equilíbrio
•Melhora da circulação sanguínea
•Alívio da prisão de ventre e flatulência
•Maior oxigenação
•Redução das dores na coluna
•Tonificação e alongamento da zona pélvica (suporte do peso, auxílio no parto, evitar a incontinência urinária)
Benefícios a nível mental
•Consciência do seu novo estado de Mãe
•Comunicação com o bebé
•Mentalização positiva
Benefícios a nível emocional
•Auxilio no controlo da flutuação das emoções e da preocupação excessiva
Dou por mim a reiniciar o meu computador na esperança que aquele vírus, aquele desarranjo informático fique resolvido. Muitas vezes fica, como se o facto de desligar, fazer pausa e ligar de novo fosse a solução para todos os seus problemas. Como se esse reiniciar limpasse todas as mágoas virais, todas as confusões pelas quais o sistema operativo se deixou levar e que foi memorizando até ao dia em que, cheia de confusão, a memória não aguenta mais e pede um sofrido socorro: “Reiniciem-me! Por favor reiniciem-me!”
E nós? Quando é que nos reiniciamos? Quando é que nos damos tempo para desligar, fazer uma pausa e reiniciar?
Difícil, não é? Para já, fica uma única sugestão; a cada momento reinicie-se. Procure ver cada momento a partir do zero. Não volte àquele velho local à procura do seu primeiro beijo. Volte ao local, sim, mas com o conta quilómetros “zerado”, com os olhos limpos. Ou melhor ainda, vá a outro local e, quem sabe, lá poderá encontrar o seu segundo amor!
Tens algo para resolver? Algo que te preocupa? Muda a perspectiva! Salta para uma cadeira e visualiza o problema no chão! Não chega? Sobe até ao topo de prédio, de uma montanha! Vês?! O problema está lá em baixo e é tão pequenino… Queres outra sugestão? Coloca-o do outro lado de um lago. Observa-o da outra margem! Esse problema é com alguém? Coloca-te no lugar da outra pessoa. Veste a roupa dela, calça os seus sapatos, sente o que ela sente. Muda o ponto de vista! Sabes, as roupas dela também estão justas, os sapatos também lhe apertam. Vá lá… Faz lá um esforço! Troca mesmo de posição. Acredito, do fundo do meu coração, que és capaz. Se calhar o ponto de vista do outro tem alguma lógica, não achas? Está difícil? Pois bem, vou dar-te outra sugestão. E que tal se subisses à tal montanha e te visses lá no fundo de um vale verde e tranquilo a conversar em paz com essa pessoa. A brisa suave embala as vossas palavras doces… Hum… Deixa-me adivinhar… Afinal o problema nem tem assim tanta importância…. Pois é! A maior parte das vezes colocamos uma carga excessiva nas preocupações. Por isso já sabes… A próxima vez que isso acontecer… Inverte o ponto de vista! Também fazemos isso no Yoga.
P.S. E desculpa se te estou a tratar por tu, mas acredito que assim, o teu coração casmurro permitiu que as minhas palavras lá entrassem.